É com o coração repleto de gratidão que os recebemos hoje, aqui em nosso templo, para celebrarmos juntos o Obon, esta tradição tão linda e significativa. Observá-los aqui reunidos, nesta terra distante que chamamos de lar, com a memória e o amor aos seus ancestrais vivos em seus corações, me enche de emoção.
É comovente ver como o elo com as nossas raízes permanece forte, mesmo a tantos quilômetros de distância do nosso Japão. Ao longo dos séculos, o Obon, guiado pelos versos comoventes do Sutra Amida, entoado hoje com tanto respeito, tem sido um farol de esperança e conforto para o nosso povo. É a oportunidade de celebrarmos a vida daqueles que já partiram, relembrarmos suas histórias, seus ensinamentos e o amor que uniu as nossas famílias através das gerações. E hoje, mais uma página desta história se escreve aqui. Uma página que não fala apenas do passado, mas que também ilumina o nosso caminho para o futuro.
Talvez alguns se perguntem: por que relembrar o passado? Por que essa conexão com aqueles que já se foram é tão importante? Meus queridos, assim como uma planta precisa de raízes fortes para florescer, nós também precisamos nutrir a nossa história, as nossas origens, para que possamos florescer como seres humanos completos.
É fácil pensarmos nos nossos ancestrais e nos nossos descendentes como vidas separadas, distantes. Mas a verdade é que somos todos parte de uma grande e infinita correnteza, um rio que flui do passado para o futuro, carregando consigo a história da humanidade, da nossa família, do nosso povo. E nesse fluir constante, honrar nossos ancestrais é também um ato de amor e esperança para as futuras gerações. É ensiná-los a importância da família, da gratidão e do respeito por aqueles que vieram antes de nós.
Enquanto no Japão o Obon é celebrado sob o calor do verão, aqui nos reunimos no aconchego do inverno. Mas mesmo com as diferenças de clima e distância, a atmosfera que envolve este templo é a mesma: o aroma familiar do incenso, a saudade agridoce que aquece o coração, a certeza de que a distância e o tempo não podem apagar o amor e a gratidão que sentimos por aqueles que já partiram.
Na fé da Terra Pura, acreditamos que aqueles que amamos e que já se foram, renasceram sob a luz misericordiosa do Buda Amida. E é com esse pensamento reconfortante que nos reunimos hoje, não para lamentar a ausência, mas para celebrar a vida e a memória daqueles que tanto amamos.
Ao lembrarmos deles, é natural que sentimentos de saudade, e até mesmo de arrependimento, aflorem em nossos corações. “Se eu tivesse passado mais tempo com meus pais…”, “Se eu tivesse dito o quanto os amo…”. Mas não se culpem por esses sentimentos, meus irmãos. Eles são apenas reflexos do amor e da falta que essas pessoas especiais nos fazem. Transformemos esses sentimentos em força para vivermos cada dia com mais intensidade, compaixão e gratidão.
Que a lembrança daqueles que já partiram nos inspire a sermos pessoas melhores, mais justas, amáveis e presentes na vida daqueles que amamos. Olhem ao redor! Cada um de vocês carrega consigo a história e o amor de alguém que já se foi. Mesmo nos rostos desconhecidos, podemos sentir a saudade e a esperança. Ninguém está verdadeiramente sozinho neste mundo. Somos todos interligados por laços invisíveis de amor e compaixão.
Que esta cerimônia de Obon seja um momento de profunda conexão com as nossas raízes, de união familiar e de fortalecimento da nossa fé. Que a luz do Buda Amida ilumine os nossos corações, guiando os nossos passos no caminho do bem e da felicidade.