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Boa tarde a todos. É com profunda gratidão que nos reunimos hoje para, juntos, prestarmos homenagens aos entes queridos que já partiram. Ao consultar os nomes dos falecidos neste mês no site do templo, para a cerimônia em memória aos que já se foram, me deparei com uma lista de 170 nomes. Isso me fez perceber, mais uma vez, que muitas pessoas encerraram sua jornada neste mundo somente em janeiro. É claro que esta lista representa apenas uma pequena parte daqueles que partiram, cada um com sua história, suas vivências, e sua contribuição para o mundo.

A vida é finita, e a morte é uma realidade inevitável para todos nós. É natural que ela nos traga tristeza e, por vezes, medo. Mas será que a morte representa o fim de tudo? Acredito que não. A existência de cada pessoa, o tempo que passamos juntos, as palavras que trocamos, o carinho que recebemos… tudo isso permanece vivo em nossos corações, de diferentes maneiras.

As histórias de grandes figuras históricas nos fascinam. Não apenas por seus feitos extraordinários, mas também porque refletem o desejo universal do ser humano de deixar sua marca no mundo, de ser lembrado. “Como posso ser lembrado?”, “Como posso evitar ser esquecido?”. Talvez, ao nos depararmos com essas questões, pesquisemos em pedir aos outros que se lembrem de nós. Mas será que essa é a verdadeira essência da vida? Acredito que o mais importante é valorizarmos a existência de cada pessoa ao nosso redor, e mantermos viva a memória daqueles que já partiram, transmitindo-a às futuras gerações.

Um olhar amável, palavras de conforto, um sorriso sincero… que cada um de nós possa encontrar a beleza nos pequenos gestos do dia a dia, e guardá-los em seu coração. Assim, as lembranças e os ensinamentos serão transmitidos através dos tempos, de geração em geração.

Ao longo da história, diversas religiões surgiram para confortar e guiar a humanidade. Algumas delas podem pregar que basta pedir para que seus desejos sejam realizados. No entanto, no Budismo Jodo Shinshu, o que realmente importa é a compaixão, a atitude altruísta de servir ao próximo sem esperar nada em troca.

Hoje, vocês se reúnem aqui, com as lembranças de seus entes queridos em seus corações. Este ato de homenagem demonstra não apenas o desejo de honrar a memória daqueles que partiram, mas também a nobre intenção de “fazer algo pelos outros”. Agir em benefício do próximo, este é o caminho para a verdadeira felicidade. E este princípio se manifesta de forma clara nesta cerimônia de homenagem aos que já se foram.

As lembranças dos que amamos podem se transformar com o tempo, mas jamais se apagam. Guardem essas lembranças com carinho em seus corações, e continuem suas jornadas, valorizando as pessoas ao seu redor, oferecendo apoio mútuo e caminhando juntos em direção ao futuro.

No Budismo, cerimônias como funerais e memoriais nos proporcionam a oportunidade de refletir sobre a vida e sobre como devemos viver. Que esta cerimônia seja um momento não apenas para homenagearmos aqueles que já partiram, mas também para que cada um de vocês possa olhar para si mesmo, para sua própria trajetória, e encontrar esperança e força para seguir em frente.