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Nós sentimos a felicidade e a tristeza. E mesmo com o coração mudando a cada momento, o nosso “eu” continua. Ele está sempre lá. O nosso coração, que sente tantas emoções, tem espaço para tudo. E esse espaço, que parece tão nosso, é, na verdade, um espaço que é vocês.

Vocês são o lugar sagrado onde os antepassados de vocês, que já partiram e vivem apenas nas memórias, e os descendentes de vocês, que ainda nem nasceram e existem apenas no futuro, se encontram. O passado e o futuro, que nunca estão juntos, se conectam em cada um de vocês. A vida é uma linha que nunca se quebra, transmitida dos seus antepassados. E é através de vocês que essa linha vai continuar para os seus descendentes.

Vocês não estão sozinhos. A sua existência é feita de pessoas. No budismo, usamos o NENJU como uma ferramenta sagrada. Pensem nas contas. Essas contas têm buracos. E esses buracos só existem por causa das outras contas ao redor. Elas se tocam e se sustentam. Vocês são como esses buracos. A forma de vocês, a personalidade de vocês, é feita pelas pessoas ao seu redor: a sua família, os seus amigos, os vizinhos. São eles que dão a vocês o significado. Mas e se eu dizer que o buraco em si é o que permite a conexão entre as contas?

Essas pessoas mudam. Pessoas amadas partem, mas outras novas chegam. As pessoas que perdemos, elas simplesmente desaparecem para sempre? Nós sentimos um vazio, uma ausência. O que realmente precisamos entender é que, na tristeza da perda, há algo que não foi perdido. Não é a pessoa, mas é o amor. O amor de quem se foi ainda está em vocês. As memórias quentes que vocês têm. Esse amor não desaparece, ele fica em vocês, transformando o vazio em um calor.

Buda nos ensina que esse amor se transforma em uma força ainda mais poderosa, chamada compaixão. A tristeza, então, não é um inimigo. Ela se torna uma oportunidade para perceber esse poder. A compaixão que vocês sentem pela perda pode ser a mesma que vocês sentem pelos outros. Vocês podem fazer da compaixão parte de vocês. Podem espalhar a bondade para outras pessoas. Transformar a tristeza em gratidão e gentileza. Esse é o caminho. É a forma de honrar quem partiu e, ao mesmo tempo, de viver uma vida mais rica. Vocês não existem sozinhos. São uma teia de conexões. E essa conexão, que existe mesmo na perda, é a sabedoria que salva vocês e torna a vida mais completa.