Hoje, olhamos para esta figura sobre a qual derramamos o chá adocicado (Amacha). É a imagem do nascimento de Shakyamuni, o fundador do Budismo. Dizem que, ao nascer, ele apontou para o céu e para a terra e declarou: “No céu e na terra, o único que pode se tornar Buda é o próprio ‘eu’ (Ga).” Foi isso que Shakyamuni nos mostrou.
Nós sentimos dor quando temos fome e ficamos ansiosos quando nosso dinheiro diminui. Não importa o que aconteça, não conseguimos parar de pensar em “eu, eu, eu”. No mundo, isso é chamado de “Ego” (Ga) — algo que nos ensinam que deve ser reprimido ou corrigido. Mas, na verdade, essa é a forma natural da nossa “vida”. É o metabolismo inevitável da existência.
Onde há uma luz forte, há sempre uma sombra densa. O ser humano não pode viver apenas brilhando. Não precisamos perseguir obsessivamente a pureza, a beleza ou a perfeição. Pelo contrário: é justamente este “eu” egoísta e problemático, essa “concavidade” na alma que parece impossível de preencher.
Quando nos rendemos a essa própria imperfeição e percebemos: “Ah, eu só posso ser quem eu sou”, é nesse exato momento que a luz da compaixão do Buda transborda e preenche esse vazio. E, assim como somos, nos tornamos um com o Buda. A isso, chamamos de Salvação.
A doçura suave do Amacha é a bênção dos Deuses Dragões do céu. É a alegria pura de encontrar este mundo e esta vida, exatamente como ela é: imperfeita. Por favor, não deixem de provar este chá logo mais em nosso salão. Que possamos passar este dia em gratidão, abraçando este “eu” exatamente como ele se encontra hoje.